O desconhecimento da realidade interna assume, em cada indivíduo, proporções de desesperança à medida que avança em idade, e – a menos que conforme sua vida à resignada inabilitação de suas aptidões superiores, por carecer dos conhecimentos que as desenvolvam – buscará por todas as partes, com crescente inquietude, a palavra luminosa que clareie seu entendimento e resolva a indagação que se plasma na mente do homem diante da incógnita de seu destino.
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Na parte psicológica, que é a intermediária entre a física e a espiritual, é onde se fazem mais evidentes os resultados obtidos pela ação do conhecimento logosófico
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Ao tomar contato com sua realidade interna e focalizar a observação em zonas ignoradas de sua estrutura psicológica e mental, o indivíduo experimenta uma sucessão de mudanças em sua maneira de ser, principalmente no pensar e sentir, o que lhe amplia a vida. Essa ampliação da vida dilata, naturalmente, o campo das projeções dos sistemas mental e sensível*, e estimula notavelmente o esforço para maiores aquisições no campo do saber transcendente.
O estudo dos pensamentos, que, complementado com o das deficiências, dá capacidade executiva ao esforço por erradicar da vida toda influência nociva, traz paralelamente um positivo avanço na evolução do ser. Aumentam as forças psíquicas que sustentam o potencial dinâmico das energias mentais, e o ser, assim fortalecido, alcança os estados mais lúcidos de sua inteligência. Mas a isto logicamente será preciso acrescentar outras realizações ensejadas pelo método logosófico, para que surja, em sua plenitude, o ente psíquico, antes entorpecido pela ausência de estímulos para seu desenvolvimento.
Cabe, além disso, registrar a sensação de equilíbrio psicológico e mental que o ser experimenta, assim como as de alegria e bem-estar que o acompanham em todos os momentos de sua vida.
Como vimos, a influência construtiva da Logosofia sobre a parte psicológica do ser é poderosa e decisiva, já que cumpre os altos fins da evolução em seu aspecto consciente.
Voltando aos pensamentos, são eles precisamente os que sofrem o primeiro impacto da ação ordenadora, seletiva e fertilizante de nossos conhecimentos, desde o momento em que é na direção deles que o método logosófico dirige sua corrente depuradora e edificante.
Aos pensamentos não fica senão a alternativa de se ausentarem do recinto mental de quem começa seu processo de evolução consciente, ou acabarem desintegrados, porque o dedo acusador da realidade os aniquila. Se tais pensamentos não foram capazes, antes, de alentar dentro da mente humana nenhuma ideia feliz, nem oferecer a menor colaboração para resolver os problemas da vida rotineira, muito menos poderiam ajudar no desenvolvimento das possibilidades transcendentes do ser. Daí a imperiosa necessidade de desalojá-los, a fim de que outros pensamentos de índole superior ocupem seu lugar.
É esta uma experiência de singulares projeções para o reequipamento mental, moral e espiritual do ser; experiência que nunca falhou, e que prova a eficácia do método nessa parte tão importante de sua aplicação.
Tenha-se muito em conta que, no geral, o homem não atribui nenhuma importância aos pensamentos, tanto que jamais se ocupa deles, confundindo as funções destes com as de sua faculdade de pensar. Tampouco poderia assegurar se o pensamento que expressa em determinado momento é seu ou é alheio. Possuir, pois, o domínio do próprio campo mental e ser dono dos pensamentos que serão postos a serviço da causa do aperfeiçoamento, é alcançar uma conquista de imponderável valor para a vida.
Desnecessário seria, aqui, estender-nos mais sobre o que significa para o destino da criatura humana o conhecimento e o domínio dessa extraordinária e fecunda realidade, que haverá de iluminar os melhores dias de sua existência no mundo.
* Ver o livro Logosofia, Ciência e Método, lições III e V, do autor.