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Aproveite para tomar contato com os artigos de Carlos Bernardo González Pecotche, criador da Logosofia.

Os demais artigos foram extraídos de trabalhos realizados por logósofos, com resultados alcançados na prática dos conhecimentos oferecidos por essa ciência.

Os artigos poderão ser reproduzidos livremente desde que sejam mencionados o nome da Fundação Logosófica, o site www.logosofia.org.br e o nome de seus autores.

Propensão à licenciosidade x liberdade individual

A propensão à licenciosidade acusa negligência e falta de escrúpulo, por parte da pessoa, para com aquilo que, na ordem dos costumes e da conduta, merece respeito dentro da sociedade. Influenciado por ela, tende à desconsideração de toda norma ou princípio ético e sensível, sem levar em conta sua importância social e sem ter noção do dano que, com isso, ocasiona tanto a si mesmo como aos semelhantes. Numa palavra, tende a menosprezar o correto, confundindo os meios que fazem possível a convivência decente e honesta com aqueles outros que propiciam a libertinagem.

Sob o rótulo de liberdade individual, tão explorado pelas pretensas ideias democráticas, o propenso a desmedir-se, seja no que for, logo termina por incorrer em excessos que põem em relevo o rápido arraigamento de uma modalidade que se tornou seriamente negativa e perigosa. A propensão, transformada agora em deficiência caracterológica, traduz-se por manifestações de rebeldia, sendo difícil extirpá-la, pois os que a possuem se acham sob a pressão de ideias dissolventes, tão perniciosas como as que o próprio fanatismo fomenta.
 

A liberdade não se concebe nem se exerce cabalmente
se a responsabilidade não a acompanha


Esta negativa tendência é percebida em todos os níveis sociais. Pode ser observada entre operários e demais empregados, estudantes e profissionais de nível superior, e em todos os casos revela o ser que não tem ideia clara a respeito da liberdade com que pretende reger-se, ou não sabe que liberdade significa também respeito, comedimento, dignidade, considerando-a tão-somente quando tolera o abuso e o desenfreio. Há de se saber, não obstante, que a liberdade não se concebe nem se exerce cabalmente se a responsabilidade não a acompanha, como faz a sombra em relação ao corpo que a projeta.

Terreno propício para a expansão da licenciosidade é a falta de uma sólida e efetiva educação social, que habilite o cidadão para defender sua vida contra a tremenda avalancha de estímulos negativos da hora presente; hora que arrasta consigo os germens da decomposição moral e espiritual, propaga a corrupção dos costumes, o desprezo pela dignidade humana, e abre um espaço fácil no seio da juventude, vítima da inexperiência, da desorientação e do desamparo.

Tendo em conta, pois, seu rápido avanço em todos os setores da sociedade, convém não esquecer que, se o número de afetados cresce à medida que o mal se estende, ou seja, em proporção ao avanço da licenciosidade convertida em norma, o esforço daqueles que não desejam aumentar seu número deve refletir-se na própria conduta, conferindo a ela um alto grau de dignidade, honestidade e respeito.
 

Trechos extraídos do livro Deficiências e Propensões do Ser Humano, p. 200
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