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Aproveite para tomar contato com os artigos de Carlos Bernardo González Pecotche, criador da Logosofia.

Os demais artigos foram extraídos de trabalhos realizados por logósofos, com resultados alcançados na prática dos conhecimentos oferecidos por essa ciência.

Os artigos poderão ser reproduzidos livremente desde que sejam mencionados o nome da Fundação Logosófica, o site www.logosofia.org.br e o nome de seus autores.

Preparando-se para o matrimônio

A experiência matrimonial se estende ao longo de um processo que começa desde que o homem e a mulher concebem a ideia do sexo, mesmo quando não tenha aparecido ainda, para um ou para outro, a dulcineia ou o pretendente que, por unanimidade do sentir, escolherão um dia com fins de aliança. O processo se inicia, pois, desde esse momento.

 

A natureza sensível tende, a partir dali, a configurar as demandas incipientes do instinto à ideia conjugal, associando aos atos da emoção passional as confidências do sentimento afetivo. A ideia conjugal prevalece no ser pela própria reação das forças criadoras e sustentadoras da espécie; por conseguinte, leva-se impresso no sangue o mandato supremo da perpetuidade.

 

No instante em que se decide a sorte do futuro sentimental do casal humano, instante que se pode produzir espontaneamente ou após um tempo mais ou menos breve de observação, contemplação e entusiasmo, é indubitável que uma comoção delicadamente sensível enleva as partes ao colocar definitivamente a imagem querida no lugar de honra dentro do coração. A partir dali, o amor seguirá o curso que cada um seja capaz de lhe imprimir.

 

O homem quer formar um lar e dedicar-se, com a espontaneidade que surge de seu coração, aos seres queridos que haverão de viver nele, isto é, sua esposa e filhos. Mas, para que isto seja uma realidade, o amor que a mulher tenha chegado a lhe inspirar, terá de predominar sempre em alto grau sobre sua condição sexual, propensa a excitar seus sentidos e desviá-lo desse objetivo. Assim sendo, jamais se empanará a imagem refletida no espelho de seu sentimento. 

 

Como conservar através dos anos o encanto do amor puro,

nobre, profundo, que a alma respira nos dias de namoro?

 

Duas coisas são indispensáveis para que perdure esse amor fresco e puro que se sente pela amada, sem que se debilite jamais. A primeira é o afeto, que, menos impulsivo que a paixão, fixa-o, pois, se bem seja certo que a paixão infunde vida ao amor, o afeto é chamado a preservá-lo e conservá-lo. A outra, a segunda, tão indispensável quanto a primeira, é nossa dignificação aos olhos do ser querido. Esta só se consegue por meio dos esforços e das preocupações pelo bem-estar da família, e alcança sua máxima expressão quando nos elevamos, numa superação constante, acima da vulgaridade. 

 

Sendo o amor uma força e também um poder, nenhuma circunstância poderia ser mais oportuna, para ensaiar sua virtude, do que a de empregá-lo na consagração definitiva de um lar que possa ser exemplo para lares. O amor é o grande elemento com que se suprem muitos claros produzidos no âmbito sensível pelas deficiências caracterológicas, e é também o que infunde confiança em nossas próprias forças, para esperarmos uma correspondência mais elevada às demandas, por vezes silenciosas, de nosso ser moral. É ali onde a tolerância cumpre seu alto e grande objetivo instrutivo.

 

A felicidade poderá ser uma conquista para o casal humano, desde que nem um nem outro se afastem do que se chama lei da sensatez. 

Extraído do Livro O Senhor de Sándara, pág. 208-209 e 213-215
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