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Aproveite para tomar contato com os artigos de Carlos Bernardo González Pecotche, criador da Logosofia.

Os demais artigos foram extraídos de trabalhos realizados por logósofos, com resultados alcançados na prática dos conhecimentos oferecidos por essa ciência.

Os artigos poderão ser reproduzidos livremente desde que sejam mencionados o nome da Fundação Logosófica, o site www.logosofia.org.br e o nome de seus autores.

O que busca o ser humano para sua vida

Por que existem tantas desavenças entre as pessoas, e por que cada uma, estando fora de seu lugar, pretende estar em sua razão?

Quem na realidade é muito mais do que aparenta, trata sempre de não se distanciar demais do semelhante, para poder observá-lo bem e escutá-lo melhor. Dessa forma, o compreenderá, sendo lógico que uma boa compreensão já é um elemento de valor, é uma ajuda instantânea que o outro recebe, porque é sabido que quando um ser aflito expressa sua emoção e seu estado de ânimo a um semelhante, sente imediato alívio ao encontrar nele compreensão.

Neste jogo de movimentos mentais, é fácil ver como aparece sempre a parte negativa do ser, que é, ao mesmo tempo, sua própria negação e sua inimiga.

Cada um busca com insistência algo e, nessa busca, põe todo o seu empenho, suas energias, seus afãs e seus anseios. E o que é que busca? Ser mais feliz, possuir mais; em síntese: ser mais do que é. Porém, preocupado com tal busca, esquece constantemente o que ela deve significar para sua vida. 

Se somos conscientes do que temos e nos sentimos felizes com essa posse, devemos cuidar para que nada nos afete

Se, por exemplo, alguém está com sua casa vazia e quer ocupar todos os seus espaços com móveis e adornos, é lógico que, cumprido esse desejo, deva sentir-se satisfeito e feliz. Pois bem, muitos passam a vida enchendo e esvaziando a própria casa: quando está vazia, imploram para que esteja cheia e, quando isso acontece, ficam saudosos dos tempos em que estava vazia, para voltar a sentir a aspiração de enchê-la.

Provaremos a verdade do expressado. Muitos não passaram a vida inutilmente; algo já possuem, uns mais, outros menos. Mas, se verificassem em sua mente, é certo que achariam nela muitas coisas esquecidas; possivelmente muitas dessas coisas são as que agora buscam com empenho conquistar, sem notar que já as têm há muito tempo.

O ensinamento logosófico, com sua força construtiva, busca despertar a consciência para que esta ilumine toda a vida interna do ser. Se somos conscientes do que temos e nos sentimos felizes com essa posse, devemos cuidar para que nada nos afete e nem diminua em nós a consciência do que possuímos. De modo que, se somos possuidores de uma parte de felicidade, por exemplo, não a esqueçamos em nenhum momento e, muito menos, não nos amarguremos com os pequenos incidentes da vida diária, que surgem ameaçando perturbar a calma de nosso espírito.

É preciso evitar sempre o ofuscamento, a obstinação e o descuido em que muitas vezes se incorre, por não prestarmos atenção ao que possuímos, pois, mesmo podendo desfrutar conscientemente essa parte feliz de que dispomos, tornamos a vida triste, amargurando-nos por coisas que deveriam ser observadas com serenidade, sem deixar, em momento algum, que penetrassem no ânimo para afetá-lo.

O ser que é consciente dessa parte de felicidade deverá antepô-la como uma couraça contra o mal em todos os instantes de sua vida.

Texto extraído do livro Introdução ao Conhecimento Logosófico, pág.286
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