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Aproveite para tomar contato com os artigos de Carlos Bernardo González Pecotche, criador da Logosofia.

Os demais artigos foram extraídos de trabalhos realizados por logósofos, com resultados alcançados na prática dos conhecimentos oferecidos por essa ciência.

Os artigos poderão ser reproduzidos livremente desde que sejam mencionados o nome da Fundação Logosófica, o site www.logosofia.org.br e o nome de seus autores.

O livro na educação da humanidade - 2a parte

Considerando que há três classes de leitores, verificamos que neles se produzem curiosas variações quanto ao que extraem dos livros. A primeira inclui os que leem um livro com verdadeiro interesse, sem nenhuma prevenção, buscando em suas páginas a agradável sensação de compreender o pensamento do autor. Essa classe de leitores costuma dialogar mentalmente com o autor, completando muitas imagens que não foram totalmente desenhadas ou que foram palidamente refletidas.

O que sabe ler e valoriza o esforço e o pensamento exposto numa obra se interessa vivamente pelas passagens de positivo valor, passando sem se deter por aquelas que, por carecerem de mérito, não chegam a despertar atenção. O mesmo ocorre quando se contemplam paisagens que, ao oferecerem motivos justificados para extasiar o espírito, convidam a admirá-las; ao contrário, passa-se com indiferença pelos pontos áridos ou carentes de atração.

A segunda classe de leitores compreende os que mostram gosto pela leitura, mas que, por carecerem de capacidade suficiente, de educação e de vontade leem sem a devida atenção. Há ainda aqueles que, mesmo possuindo vasta ilustração e inteligência, leem aos saltos, folheando os livros sem se preocuparem com o ordenamento das ideias. Tomadas as páginas ao acaso, geralmente se lê e se julga por elas o conteúdo total de uma obra, o que não deveria acontecer com os livros cujos temas assinalam rumos ou guardam motivos valiosos e de profundo interesse para o pensamento dos leitores.

 

É provável que a época em que vivemos tenha influído muito para que se leia aos saltos, pois parece não existir mais a tranquilidade que a leitura das grandes obras requer

 

O certo é que sempre encontramos nos livros algo para adicionar ao nosso conhecimento, e é desse interesse por esquadrinhar todas as coisas consideradas de valor para aumentar o saber pessoal que surge a necessidade de superar as condições e as possibilidades de aperfeiçoamento individual.

O terceiro caso agrupa os leitores que só vão aos livros e aos textos de grande difusão, nem sempre muito bem recomendados. Referimo-nos às obras passionais e às que difundem determinadas ideologias.

Se considerarmos que, para as pessoas de pouca ilustração, tudo o que aparece escrito é verdade, fácil será compreender como podem ser danificadas suas mentes ao fazerem uso dessa literatura perniciosa, que tão caro custa, já que é muito difícil de ser extirpada da mente dos tantos que admitem tudo o que leem, por não terem a capacidade necessária para discernir o bom do mau, o justo do injusto e o conveniente do inconveniente.

A missão do livro na educação da humanidade é grande e respeitável; por isso, cabe esperar que, no futuro, ele vá se impondo como uma necessidade que a todos diz respeito por igual. É o livro o veículo que, conservando o pensamento nele exposto, permite que as gerações possam nutrir-se, servindo assim aos fins da civilização e ao progresso cultural do mundo.

 

 

Texto extraído da Coletânea da Revista Logosofia, tomo 1, pág. 191
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