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Aproveite para tomar contato com os artigos de Carlos Bernardo González Pecotche, criador da Logosofia.

Os demais artigos foram extraídos de trabalhos realizados por logósofos, com resultados alcançados na prática dos conhecimentos oferecidos por essa ciência.

Os artigos poderão ser reproduzidos livremente desde que sejam mencionados o nome da Fundação Logosófica, o site www.logosofia.org.br e o nome de seus autores.

O jogo da mímica

Qual teria sido o primeiro ofício praticado pelos que habitaram nosso planeta em remotas épocas?  

 Devido à incipiência dos entendimentos, parece que foi a pantomima. Os homens não possuíam ainda o uso da palavra articulada de modo inteligente, nem conheciam os nomes das coisas; porém, levados pelo instinto e pela elementar atividade de suas mentes, começaram a familiarizar-se com o uso de tudo o que formava o conjunto de suas necessidades. Para se entenderem, usaram das expressões fisionômicas, dos gestos e atitudes expressivas que revelavam os desejos de quem os executava. O primeiro e mais significativo gesto foi o de levar a mão à boca, em atitude de comer, para dar a entender que tinha fome, sinal que perdura ainda em nossos dias e é conhecido em todas as partes do mundo.

 Disso se depreende que os homens primitivos, impedidos, pela própria incipiência intelectual, de usar da linguagem articulada, realizavam suas tarefas silenciosamente, e os mais habilidosos serviam de referência para os outros, que imitavam seus movimentos. Uma pedra de regular tamanho, por exemplo, lhes teria sugerido o pensamento de se sentarem em cima, atitude que sem dúvida foi logo adotada pelos que até então se sentavam no solo. O couro dos animais pode ter sugerido a eles a ideia de colocá-lo sobre a pedra, tornando-a menos dura e, mais tarde, amaciado pelo uso, os teria induzido a adotá-lo como abrigo. 

 
O homem é um insigne imitador por natureza
enquanto não se pronuncia nele a faculdade de criar

 Aquele ofício mudo estimulou a necessidade de recorrer à mímica para resolver as situações prementes da vida primitiva, mas depois a inteligência humana substituiu pela comunicação verbal aquelas rudimentares formas de engenhosidade, e novos progressos se evidenciaram na vida dos homens.

A brincadeira infantil jogo da mímica teve sua origem naquelas remotas idades. Quando surgiu a necessidade de expressar com palavras os pensamentos e desejos, a pantomima passou à história como curiosidade. Entretanto, como a alma humana guarda de tudo alguma reminiscência, o jogo da mímica foi sendo praticado pelas crianças ao longo dos tempos, com grande entusiasmo. Consistia no seguinte: reunidas várias crianças, uma delas, escolhida por turno para exercer a mímica, começava a descrever – por meio de manifestações fisionômicas, gestos e atitudes – seu pensamento ou desejo. As demais crianças deviam inferir o significado dos movimentos que ela fazia. Assim, umas davam uma interpretação, e outras davam outra; mas, na maioria das vezes, coincidiam quando era clara a imagem apresentada.

 As crianças, ao verem que era entendido com facilidade o que executavam, pensavam em reproduzir imagens mentais de coisas mais difíceis, a fim de que a expectativa fosse maior e ficasse mais trabalhoso acertar. Desse modo, e sem querer, adestravam suas mentes para inventar outras coisas.

 Como se pode ver, o jogo da mímica foi praticado pelas crianças durante séculos, e o é, da mesma forma, ainda hoje.  

Texto adaptado do diálogo 32 do livro Diálogos
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