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Aproveite para tomar contato com os artigos de Carlos Bernardo González Pecotche, criador da Logosofia.

Os demais artigos foram extraídos de trabalhos realizados por logósofos, com resultados alcançados na prática dos conhecimentos oferecidos por essa ciência.

Os artigos poderão ser reproduzidos livremente desde que sejam mencionados o nome da Fundação Logosófica, o site www.logosofia.org.br e o nome de seus autores.

Deficiência: Falta de Vontade
Antideficiência: Decisão

Vontade é a força psíquica que move as energias humanas e põe em atividade as determinações da inteligência para o bem, defesa e superação do indivíduo. A falta de vontade anula essas possibilidades e prostra o ser na indiferença e na inércia, faz sua inteligência fracassar e chega até a perverter sua sensibilidade, porque o expõe a todas as tentações e contingências que o ameaçam.

Os movimentos da vontade, pequenos ou grandes, são impulsionados por dois fatores de primordial importância, que se alternam e se substituem de forma temporária ou permanente: a necessidade e o estímulo.

A necessidade atua sobre a vontade determinando movimentos quase automáticos, que forçam o ser a realizar até as coisas que ele não quer ou que devia ter feito, por determinação do próprio pensar e sentir; seu principal agente é a premência, que não admite demoras de nenhuma espécie enquanto urge o cumprimento de uma obrigação, ou a satisfação de uma exigência inevitável.

O estímulo age também sobre a vontade, mas ativa por sua vez a inteligência e o sentimento, despertando o nobre afã de substituir a escassez pela abundância em cada um dos setores da vida em que a vontade desempenha papel preponderante.

Por mais cansada que a pessoa se sinta ao término de uma jornada, se lhe é oferecida a oportunidade de distrair-se com algum passatempo favorito, dificilmente deixará de fazê-lo. Isto significa que a perspectiva de passar um momento agradável influi sobre a vontade, ativando-a. Fica assim demonstrado como a vontade se mobiliza, incitada por um estímulo qualquer, o que dá ideia do muito que se pode conseguir quando ela se ativa em virtude de estímulos edificantes, como são os que o conhecimento transcendente proporciona.
 

A decisão vigoriza o temperamento e faz com que
o ânimo se recupere no instante em que começa a decair


A antideficiência a ser aplicada nos casos de falta de vontade é a decisão. Para que seja efetiva, terá de ser praticada com responsabilidade – como toda antideficiência exige –, sobrepondo-se com empenho à apatia até triunfar. O ser deve demonstrar que é capaz de contrapor à abulia que o domina a decisão de combatê-la. Conseguirá, assim, ter vontade para tudo.

Primeiramente, será necessário querer uma coisa ou querer fazer algo; mas querê-lo com força, para permitir que a antideficiência entre em vigor. O simples fato de pensar que estamos levando à prática uma disposição emanada de nós mesmos, que tem por fim imediato nosso próprio benefício, contribuirá de maneira decisiva e sem maiores tropeços para a conquista daquilo que buscamos.

A vontade, assim fortalecida, vai se erigindo em valor inapreciável, constituindo-se na força que move o homem na procura dos bens que prometeu para sua vida e seu destino.

Tendo isso presente, não serão deixadas para amanhã as coisas que podem ser feitas hoje, já que isso permite ao ser ganhar um tempo que, no dia seguinte, poderia ser destinado a outros afazeres. 

Trechos extraídos do livro Deficiências e Propensões do Ser Humano, pp. 35 a 42
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