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Aproveite para tomar contato com os artigos de Carlos Bernardo González Pecotche, criador da Logosofia.

Os demais artigos foram extraídos de trabalhos realizados por logósofos, com resultados alcançados na prática dos conhecimentos oferecidos por essa ciência.

Os artigos poderão ser reproduzidos livremente desde que sejam mencionados o nome da Fundação Logosófica, o site www.logosofia.org.br e o nome de seus autores.

Deficiência: Desobediência
Antideficiência: Obediência

Partindo também neste caso da infância, na qual têm origem muitos defeitos psicológicos, surpreendemos a desobediência manifestando-se geralmente como rebeldia. Isso ocorre porque não se ensinam à criança as razões pelas quais deve obedecer e os benefícios que tal atitude traz para a vida, seja como tônica construtiva sob o pátrio poder, seja a serviço do desenvolvimento harmônico de uma atividade, da execução de uma obra ou das leis que regem a ordem social.

É um fato comprovado que o instinto suscita prematuramente no ser humano o problema de sua liberdade, ao confundir este, desde tenra idade, obediência com submissão e reagir em consequência disso. Mas a criança se faz homem e, com o tempo, à medida que sofre os embates da vida e que sua capacidade reflexiva o permite, forçoso é que compreenda que a obediência, e também outras disciplinas, são necessárias, pois corrigem os desvios em que o indivíduo poderia continuar incorrendo indefinidamente, tanto com respeito a si mesmo como à vida de relação e às leis estabelecidas.

O acatamento inteligente do indivíduo a normas, regras, deveres e leis contribui para estabilizar a harmonia na convivência humana

Para poder enfrentar a tempo esta inclinação defeituosa ou eliminá-la de si mesmo antes de experimentar seus penosos efeitos, é imprescindível fazer a criança saber que a obediência está condicionada a princípios de disciplina e de bem; por conseguinte, ela não deverá obediência a nada que contrarie esses princípios. Será educada adquirindo consciência desse dever e será capacitada para cumpri-lo com lucidez mental. Jamais lhe será imposto o acatamento cego e, para tanto, lhe será propiciado o lógico discernimento sobre os motivos da obediência a tal ou qual ordem, indicação ou encargo.

É notório que, quando a desobediência se enraíza na pessoa, influi decididamente sobre seu ânimo. Um empregado que desobedece reiteradamente a seu chefe se expõe a perder a confiança nele depositada, e até mesmo seu emprego. Isso significa que cedo ou tarde sua conduta lhe acarretará consequências adversas e, portanto, dolorosas, que abaterão seu ânimo.

Com frequência se desobedece por temor de perder ou diminuir a própria autonomia, pois se ignora que esta pode ser mantida plenamente, apesar da obediência observada ante os deveres que as circunstâncias, as obrigações ou o meio familiar ou social impõem.

Justamente por não levar isso em conta é que o ser sofre, às vezes, as desvantagens derivadas da deficiência, tão contrária ao bom proceder.

Uma razão equilibrada – salvo nos casos de involuntário descuido – jamais cometerá a torpeza de desobedecer à ordem social e jurídica, e quem cientemente o fizesse se declararia menos sagaz que o rato, cujo instinto o freia no momento em que é tentado pelo queijo da ratoeira, se seu olfato lhe denuncia que outros de sua espécie deixaram ali o vestígio de seu sangue. 

Trechos extraídos do livro Deficiências e Propensões do Ser Humano, p. 66
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