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Aproveite para tomar contato com os artigos de Carlos Bernardo González Pecotche, criador da Logosofia.

Os demais artigos foram extraídos de trabalhos realizados por logósofos, com resultados alcançados na prática dos conhecimentos oferecidos por essa ciência.

Os artigos poderão ser reproduzidos livremente desde que sejam mencionados o nome da Fundação Logosófica, o site www.logosofia.org.br e o nome de seus autores.

Deficiência: Credulidade
Antideficiência: Saber

Torna-se evidente esta deficiência na pessoa que dá crédito fácil a tudo quanto ouve, sem prevenir-se contra o erro ou a falsidade, e sem avaliar as consequências de aceitar tudo sem prévia participação do entendimento.


Obedece à falta de experiência no trato com as pessoas, como também ao pouco proveito extraído dessa experiência como moderadora dos excessos de confiança no próximo. É natural que seja comum nas pessoas simples e ingênuas, que tudo aceitam de boa-fé.


Seja qual for a causa que determina a credulidade, ela sempre acusa na pessoa a entrega submissa da mente à sugestão alheia.


Ocorre às vezes que uma pessoa assim, depois de cair nas múltiplas ciladas armadas para sua candidez, reage de tal maneira contra ela que abraça decididamente o extremo oposto, convertendo-se de pronto no mais desconfiado dos seres, tanto que até perde as melhores oportunidades, justamente por recear quando menos deveria fazê-lo. Tudo isso é fruto da inconsciência, já que tal coisa não acontece a uma consciência ativa, que sabe mobilizar a tempo os elementos de juízo requeridos pela razão quando vai ser comprometido, em sua totalidade ou em parte, o patrimônio físico, moral ou espiritual do ser.

Desarraigar a credulidade por meio do saber é afastar para sempre um mal
que os seres humanos têm padecido há séculos


Mediante a assimilação de conhecimentos logosóficos, a mente humana estabelece defesas que a imunizam contra os inconvenientes desta deficiência. Tão logo a inteligência começa a enriquecer psicológica e espiritualmente a vida individual, aumentam os acertos e diminuem os erros. Nasce e afirma-se dentro do ser a confiança em si mesmo, e já não se cai na credulidade, porque se consulta invariavelmente o próprio juízo antes de aceitar o alheio; já não há perigo de cair na renúncia do próprio pensar, cedendo tão legítimo direito – como tantas vezes já ocorreu às vítimas desta deficiência – aos falcões da dialética social, política ou religiosa, os quais, deslumbrando as mentes com os voos da imaginação, agarram suas presas, já previamente escolhidas.


A credulidade põe em perigo a independência do ser. Eis aí a razão fundamental que nos assiste ao sustentar que o homem não deve crer, mas sim saber, pois somente a posse do conhecimento garante a liberdade própria e protege a vida contra toda intromissão estranha.
O saber é muito difícil de realizar. Exige empenho, sacrifício, estudo e experiência, mas a compensação que oferece é tão grande que, podendo avaliá-la, ninguém deixará de tentar sua posse.


Certamente, não é necessário chegar à sabedoria para eliminar a credulidade. Nada disso; bastará munir-se dos elementos que a Logosofia oferece para que o ser fortifique sua vulnerável psicologia e contraponha suas defesas mentais à sedutora voz do engano.
Desarraigar a credulidade por meio do saber é afastar para sempre um mal que os seres humanos têm padecido há séculos, por falta de uma sadia e construtiva orientação espiritual. 

Trechos extraídos do livro Deficiências e Propensões do Ser Humano, pp. 140 a 142
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