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Aproveite para tomar contato com os artigos de Carlos Bernardo González Pecotche, criador da Logosofia.

Os demais artigos foram extraídos de trabalhos realizados por logósofos, com resultados alcançados na prática dos conhecimentos oferecidos por essa ciência.

Os artigos poderão ser reproduzidos livremente desde que sejam mencionados o nome da Fundação Logosófica, o site www.logosofia.org.br e o nome de seus autores.

Cada um tem uma parte de razão

É necessário cultivar muito a reflexão, evitando pronunciar-se precipitadamente, pois nunca é tarde para responder com a palavra ou com o exemplo. O mau é quando se quer ter logo toda a razão e, pior ainda, quando se tem a pretensão de impô-la aos outros. Todos temos sempre uma parte de razão, mas não é esta a que utilizamos para nos entendermos com o semelhante, senão a que não temos, isto é, a que cremos ter. 

 

Se encontrarmos duas pessoas discutindo acaloradamente, e até quase agressivamente, e lhes perguntarmos que animosidade existe entre elas para discutir dessa maneira, certamente não saberão responder com precisão o que fez com que chegassem a se tratar em termos tão agressivos; ou melhor, as duas dirão, ao mesmo tempo, que uma delas quis impor sua razão à outra. 

 

Se uma delas, em vez de querer impor sua razão, a desse à outra, buscando com isto acalmar sua pretensão, seu amor-próprio ou sua vaidade, quem teria saído ganhando? A primeira, absolutamente nada, e a outra tampouco, mas teriam evitado possíveis consequências amargas. 

 

Não devem existir desavenças entre os seres por motivos totalmente alheios 

ao que constitui a finalidade da vida

 

porque seria distrair a atenção, perder o tempo, gastar energias. Em consequência, quem é consciente de possuir uma parte de bem e de felicidade deve buscar, logicamente, ser amável, desculpando sempre os momentos intempestivos do semelhante, pois quanto mais o desculpar, mais haverá de merecer desculpa, se alguma vez incorrer no mesmo erro. Quão grato é para o espírito sentir como nos é devolvido o mesmo bem que tenhamos oferecido na desculpa do erro alheio! Com isto, já estamos nos fazendo um bem, alimentando nossa felicidade. 

 

Devemos converter-nos sempre em credores morais e não em devedores; quanto mais belos forem nossos gestos, quanto mais elevação houver em nossos atos e pensamentos, quanto melhores forem nossas palavras e intenções, mais tudo isto contribuirá para aumentar a própria posse da felicidade. Os momentos da vida serão mais gratos, porque experimentaremos a ventura de haver criado um estado aprazível dentro de nosso ser, depois de oferecer o esquecimento à ofensa, prodigando a doçura e o bem em todo sentido. 

 

Lamentaremos se não virmos o mesmo no semelhante; mas nem por isso nos sentiremos incomodados ou ofendidos por quem nos mostra sua inferioridade, pois já é uma grande vantagem saber-se capaz de dominar as reações impulsivas do ânimo, enquanto se derrama, em doce expressão, a desculpa e a ternura do perdão, que abranda até as pedras mais duras. 

 

Esta concepção de uma conduta superior permite refletir sobre os muitos instantes em que a experiência surge provando a têmpera de nosso espírito; com frequência, esta ou aquela circunstância nos oferecerá motivo suficiente para exercer a prática desse bem.

Texto extraído do Livro Introdução ao Conhecimento Logosófico, pág. 286-288
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