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Aproveite para tomar contato com os artigos de Carlos Bernardo González Pecotche, criador da Logosofia.

Os demais artigos foram extraídos de trabalhos realizados por logósofos, com resultados alcançados na prática dos conhecimentos oferecidos por essa ciência.

Os artigos poderão ser reproduzidos livremente desde que sejam mencionados o nome da Fundação Logosófica, o site www.logosofia.org.br e o nome de seus autores.

A dificuldade de expor o pensamento

Toda pessoa que carece de rapidez mental e não pode, além disso, expor seus pensamentos com clareza, dificilmente avança no caminho da vida, desta vida em que tão necessário é manter ágil o entendimento nas inúmeras circunstâncias que amiúde devem ser enfrentadas. Se se trata da vida dos negócios, bem sabemos quão indispensável é uma mente desperta e uma palavra fácil para encarar as mil situações que não admitem lentidão nem no pensamento, nem na palavra, nem na ação.

O mesmo acontece em todas as outras ordens da vida: um candidato, por exemplo, que vai em busca de um emprego, tem, se não sabe expor seu pensamento com clareza e rapidez, uns noventa e nove por cento de probabilidades a menos, se comparado a quem sabe fazê-lo melhor; nas tarefas de governo e, enfim, onde quer que o homem ou a mulher devam desempenhar funções de alguma importância, é igualmente imprescindível possuir essa facilidade na exposição do pensamento.

De que ou de onde provém tal deficiência ou anormalidade? Vejamos: é costume generalizado dos pais cortar a atitude espontânea dos filhos quando estes, seja na alegria, seja na dor, querem expor o que pensam ou sentem. Em geral se faz a criança calar imperativamente, admoestando-a, ou não admitindo que ela diga o que de antemão já se sabe que vai dizer; pior ainda se é para desculpar-se de alguma falta cometida. Isso cria um complexo de inferioridade, quer dizer, apodera-se da alma infantil uma espécie de timidez e temor à medida que tais passagens se repetem, e os pensamentos e palavras vão ficando entrecortados, como se as peças da razão se fossem travando umas com as outras.

Na juventude, ainda que de forma um tanto atenuada, acontecem análogas situações, que os mais ousados conseguem impedir, mas não os que foram oprimidos na infância por essa contrariedade.

É tal o hábito que esta deficiência impõe ao ser, que em muitos casos, já homem, fala como se não precisasse completar suas frases, na crença, sem dúvida, de que quem o escuta captou de antemão o que ele queria expressar. Procura fazer com que os demais entendam por antecipação o pensamento que resiste a ser pronunciado. Daí os tantos mal-entendidos com seus semelhantes, tantas contradições, sem que na maior parte das vezes ele possa explicar para si mesmo a que obedecem.

Buscar a forma de eliminar do ser humano essa anomalia psicológica, reeducando seu caráter até alcançar uma total emancipação da timidez que o oprime, é aplainar o caminho a todos os que sofrem as conseqüências de causas que, alheias ao bom sentir do coração, foram sendo repetidas de geração em geração, sem que se conseguisse descobrir em que consistia esse mal que tantos desassossegos e desditas sempre causou ao indivíduo.

Trecho extraído de artigo da Coletânea da Revista Logosofia Tomo 1 p. 241 a 243
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