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Aproveite para tomar contato com os artigos de Carlos Bernardo González Pecotche, criador da Logosofia.

Os demais artigos foram extraídos de trabalhos realizados por logósofos, com resultados alcançados na prática dos conhecimentos oferecidos por essa ciência.

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A arte de governar (2.a parte)

Quando a inteligência consegue dominar as forças cegas para que elas sirvam ao bem geral, como é o exemplo das que geram a energia elétrica, de imediato surge a claridade e a ordem; porém, se pelo contrário são as forças cegas as que paralisam a inteligência, convertendo-a em autômato, logo reina a obscuridade e o caos.

No desenvolvimento dos movimentos cívicos, cumprem-se etapas nas quais predomina o passionalismo partidário; são forças cegas que convergem numa só direção: chegar ao poder. Mas, uma vez nele, essas forças devem tornar-se forças inteligentes que temperem e encaminhem todas as demais para uma conciliação harmônica dos interesses gerais.

A arte de governar consiste, pois, em realizar uma obra-mestra, plasmando no grande quadro da vida nacional a perspectiva de um porvir em que apareçam projetados os esforços e afãs de todos os habitantes do país, cada um na esfera de sua capacidade, possibilidade e atividade. Qualquer setor que faltasse nesse quadro, à semelhança de uma cor não alcançada, empobreceria sua perspectiva.
A obra de governo é extremamente árdua e difícil, tanto pela índole dos problemas a encarar e resolver como pela multiplicidade deles. O governante, premido muitas vezes pela urgência, que nem sempre dá tempo para amadurecer as reflexões, vê-se diante de dilemas cuja solução o leva até ao sacrifício de seus próprios pensamentos ou pontos de vista.
 
A arte de governar consiste em realizar uma obra-mestra.
 
 
A mente do governante é como seu próprio gabinete: um entra-e-sai de pessoas (pensamentos) que o visitam para deixar, sobre a mesa das meditações governamentais, problemas e conflitos que ele deve estudar e resolver. Podemos compará-la a um grande aposento em que desembocam canos condutores de água distribuídos por todos os lados e em que, tão logo se consegue fechar um, outro já se abre, a ponto de brotarem às vezes jatos aqui e acolá, sem dar tempo de tapá-los em definitivo. Talvez seja para corrigir os erros cometidos pela premência de tempo, exercendo com mais sapiência as funções de seu mandato, que cada governante deseja permanecer mais um período no poder.
O certo é que a arte de governar é a mais complicada e também a única pela qual se assumem as maiores e mais graves responsabilidades. Não obstante, a tarefa poderia ser verdadeiramente aliviada se o governante buscasse a colaboração franca de seu povo, oferecendo-lhe, obviamente, as mais amplas garantias para expressar sua livre opinião. E é indubitável que, dessa maneira, o cidadão que assumir o poder vai descobrir por toda parte, enquanto estiver governando, amigos sinceros – e do mesmo modo seus inimigos, que haverão de servir, por sua vez, para fortalecer suas convicções, se a crítica deles não conseguir demonstrar-lhe seus erros.
Esta grande vantagem têm os governos republicanos: poder sondar diariamente a opinião pública, para aperfeiçoar as ideias de governo. E, como em todas as coisas, daqueles que conseguem superar a arte de governar ficam as obras, permanentemente expostas, para ilustração e inspiração das gerações futuras.
Trechos extraídos de artigo da Coletânea da Revista Logosofia, tomo 2, p. 246
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