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Aproveite para tomar contato com os artigos de Carlos Bernardo González Pecotche, criador da Logosofia.

Os demais artigos foram extraídos de trabalhos realizados por logósofos, com resultados alcançados na prática dos conhecimentos oferecidos por essa ciência.

Os artigos poderão ser reproduzidos livremente desde que sejam mencionados o nome da Fundação Logosófica, o site www.logosofia.org.br e o nome de seus autores.

A arte de ensinar e a vontade de aprender (2.a parte)

Quando se cultiva o saber simplesmente por cultivar, mais propriamente para satisfazer uma vaidade enquanto se permanece totalmente alheio à realidade e à força viva do conhecimento, o ser pode conseguir uma vasta ilustração e até chegar a colocar-se entre os que se destacam nas letras, nas artes, na política, nas finanças e em todos aqueles ramos do saber comum em que se elogia e se enaltece a personalidade. Isto, porém, não evita que ele sinta muitas vezes uma nostalgia indefinida, um vazio interno que não se consegue preencher com nada, e que é resultado de tudo quanto foi construído sem objetivos perduráveis. Isto ocorre com aqueles que estão inteiramente absorvidos em compromissos sociais ou na atenção a seus interesses materiais, esquecendo que a vida tem outro conteúdo e que é precisamente nele onde reside o porquê da existência.

Para conhecer esse conteúdo, é necessário internar-se em si mesmo tanto quanto o permita a própria evolução. Foram muitos os que em todos os tempos empreenderam esta tarefa, em sua maior parte levados pela crença de poderem desentranhar num curto prazo os mistérios que se ocultam nas profundezas da criação humana. A imensa maioria voltou dessa incursão, malogradas as esperanças e quebrantados os esforços, trazendo como saldo a decepção e o desconsolo. Tal é a consequência das investigações infrutíferas, pois se desconhece a forma de realizar tão magna empresa e não se leva em conta, sobretudo, que os principais fatores que contribuem para seu êxito devem ser encontrados nos umbrais da própria vida, ali onde nasce tudo que cada ser possui de verdadeiro e puro. Entretanto, isso não impediu que outros, em número igual ou superior, se dispusessem uma e outra vez a empreender idêntica incursão nas regiões do enigma, vamos chamá-la assim, já que outro não pode ser o nome de uma realidade existente além da realidade comum e que, constantemente, exerce uma atração quase irresistível sobre o temperamento sensível da natureza humana.

A voz sábia — que pronuncia a sublime linguagem da inteligência criadora — é a que ensina o caminho sem extraviar o pensamento

Quando o ser pretende escutar essa voz com os ouvidos do egoísmo, da fatuidade ou da insensatez, corre o risco de se perder, pois a própria cegueira impede toda orientação

E vejamos agora o caso em que os seres se dispõem a encarar a questão básica do conhecimento substancial ou essencial da existência humana.

Sabe-se que essa inquietude surge como um imperativo da consciência, como uma necessidade da alma, e, desde que se manifesta como tal, começa, tanto no homem como na mulher, o que poderíamos chamar de a odisseia do espírito. Livros e mais livros passam pela retina mental, absorvidos pelas ânsias de encontrar neles as chaves misteriosas com as quais seja possível decifrar o enigma. A busca continua em qualquer lugar onde se encontre um anúncio que, sugestivamente, convide a realizar por essa via a tentativa de alcançar tal meta. Não obstante, pouco ou nada é o que se obtém no sentido de encaminhar o pensamento pelo verdadeiro e único caminho que conduz à solução do grande problema.

Trechos extraídos de artigo da Coletânea da Revista Logosofia, tomo 2. p. 163
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